A reação de Lula à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos EUA

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Lula diz que é ‘vergonhoso’ Flávio fugir do país: ‘O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lambe-botas dos EUA’

 

Por Isabella Calzolari, Pedro Henrique Gomes, g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira (27) que o candidato derrotado no segundo turno das eleições, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fugiu do Brasil e que deve ter “culpa na consciência”.

“Eu estou sabendo agora que o meu adversário foi embora, não sei. Não tenho informações precisas. Veja, eu perdi eleições para o Collor. Eu fiquei no Brasil. Eu perdi eleição para o Fernando Henrique Cardoso duas vezes, eu fiquei no Brasil. O Alckmin perdeu para mim, ficou no Brasil. O Serra perdeu para mim e ficou no Brasil. Eu fico imaginando que culpa. Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país. Quando fui acusado tive muito convite para fugir do Brasil, ir para embaixada, eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal para desmascarar meus investigadores. Quem não deve não teme”, disse Lula.

O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo duas fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters em reportagem publicada no início da tarde. Por volta das 17h, o jornal “The New York Times”, também citando duas fontes anônimas, publicou a mesma informação.

“Quando pediram para eu entregar meu passaporte eu entreguei. Ele deveria ter entregue. Mas lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber-botas dos EUA”, afirmou o presidente.

“Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou. Demonstração de que esse cidadão que foi a figura mais mentirosa que vi no planeta terra não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele. Quando mente ele esta desrespeitando as pessoas que estão em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, afirmou Lula.

Mais cedo, um jornal argentino divulgou que o senador teria saído do Brasil pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina. Segundo a reportagem do Infobae, Flávio teria cruzado a fronteira para a Argentina usando seu documento de identidade.

“De Puerto Iguazú, viajaria aos Estados Unidos a bordo de um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A”, informa o site.

Segundo o site de monitoramento aéreo FlightRadar24, a aeronave voou de Buenos Aires para Puerto Iguazú e chegou à cidade às 23h45, no horário de Brasília. O avião, no entanto, não havia deixado a cidade desde então, segundo os registros.

Não há confirmação até o momento se Flávio chegou a estar na aeronave e se teria trocado de avião para seguir para os Estados Unidos.

O Departamento de Estado dos EUA concederá vistos a Flávio Bolsonaro e a sua família e permitirá a entrada deles no país, segundo informou uma autoridade do órgão. O governo Trump não informou se o senador já está no território americano.

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o segundo turno da eleição. — Foto: Adriano Machado e Brian Snyder/Reuters

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o segundo turno da eleição. — Foto: Adriano Machado e Brian Snyder/Reuters

Entrega dos passaportes

Na avaliação da PF, três elementos centrais indicavam que Flávio Bolsonaro poderia deixar o Brasil sob a justificativa de suposta perseguição política:

  • a manifestação pública e direta do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, recomendando ao irmão a saída do país;
  • o expressivo poder econômico; e
  • a existência de estruturas já estabelecidas no exterior que poderiam viabilizar permanência prolongada.

Flávio Bolsonaro não entregou o passaporte, conforme determinação de Moraes. O prazo para apresentar o passaporte terminou às 11h desta terça-feira (27).

Fala de Eduardo Bolsonaro

O pedido da PF, revelado pela coluna da Malu Gaspar do jornal “O Globo”, lembrou de declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país em caso de derrota na disputa ao Palácio do Planalto.

“Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flávio Bolsonaro, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que Eduardo Bolsonaro foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”.

Vínculo com Willer Tomaz

Segundo investigadores, a manifestação de Eduardo Bolsonaro “não pode ser examinada de forma isolada”, sendo que Willer Tomaz, investigado com Flávio Bolsonaro num inquérito sobre lavagem de dinheiro, está em Miami (EUA) desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto.

A PF afirmou ainda que Willter Tomaz “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje” e que Eduardo Bolsonaro mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração.

Supeitas sobre o destino do dinheiro de Vorcaro nos EUA

No pedido, a PF cita cita ainda a suspeita, em averiguação, de que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido utilizados para a manutenção da estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O deputado cassado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

“Somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que Eduardo Bolsonaro, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por Daniel Vorcaro, por intermédio do doleiro Antonio Freixo. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense”.

Mineiro fechou acordo de delação premiada, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em setembro, e precisa colaborar com as investigações para obter benefícios caso seja condenado.

 

 

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