Eleições 2026: Mais de 85 mil jovens baianos vão votar pela 1ª vez esse ano

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Urna Eletrônica Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

No próximo dia 4 de outubro, cerca de 87.885 jovens baianos poderão ir às urnas pela primeira vez para escolher seus representantes. Os dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levam em consideração pessoas cadastradas no sistema eleitoral brasileiro com idades entre 15 e 17 anos.

Na capital baiana, 7.856 jovens devem votar pela primeira vez na eleição deste ano, segundo dados do Perfil do Eleitorado Mensal, que considerou todos os registros do sistema eleitoral brasileiro no mês de fevereiro.

Eleitores que estiverem fora de seu domicílio eleitoral devem apresentar justificativa para cada turno de ausência; o descumprimento pode levar ao bloqueio do CPF por José Cruz, Agência Brasil

As informações do TSE levantadas pelo CORREIO* compreendem pessoas que, no último pleito, em 2024, tinham idade inferior ao limite estabelecido para o voto, atualmente fixado em 16 anos. Desse total, 2.305 dos baianos registrados têm 15 anos; 16.165 têm 16; e os outros 69.385 têm 17 anos.

Aos 15 anos, já é possível emitir o título de eleitor. No entanto, o cidadão só poderá ir às urnas caso tenha completado 16 anos até a data da eleição. Aos 16 e 17 anos, a participação no pleito é facultativa, tornando-se obrigatória a partir dos 18 até os 70 anos.

Para Cláudio André de Souza, doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), deve haver um trabalho intenso das candidaturas em torno de uma certa sedução para que a juventude queira participar e se engajar na política e na democracia.

“A gente está falando de um público que, em tese, já está no ensino médio. A gente tem há bastante tempo a inclusão da filosofia e da sociologia nessas séries, o ENEM também trabalha com questões muito atuais, então eu entendo que estamos diante de um público mais politizado, até porque é uma geração mais afeita a estar na internet, então eu entendo que é um público que pode estar mais mobilizado para pensar e conversar sobre política”, diz. Ele reforça, porém, que o estímulo à participação está relacionado diretamente à realidade vivida por aqueles jovens em suas cidades.

Em um ano com eleições proporcionais – deputados estaduais e federais –, Cláudio André acredita que os votos dos jovens podem fazer uma boa diferença. Isso porque esse sistema leva em consideração o quociente partidário.

“Como voto é proporcional, alguma candidatura que resolva falar mais e melhor com a juventude pode fazer diferença. Então, é muito interessante perceber como a gente terá candidaturas que poderão apelar e fazer um trabalho de propaganda e de divulgação de ideias voltado mais especificamente para a juventude.”

Jaime Barreiros Neto, analista Judiciário do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), reforça a importância da participação jovem nos pleitos.

“A democracia é o governo do povo, que soma suas expectativas, suas vontades numa diversidade muito grande. A Justiça Eleitoral sempre está fazendo campanhas nesse sentido, vem realizando há muitos anos o projeto Eleitor do Futuro, junto à Justiça Eleitoral do TRE, para que os jovens sejam conscientizados acerca da importância do voto. É uma campanha permanente que o TRE faz para que os jovens sejam motivados a participar. E tem dado muito certo, porque nos últimos anos a gente tem observado um crescimento grande da presença dos jovens nas urnas”, diz.

Apesar da estimativa, o número ainda pode aumentar, já que o prazo para emissão do título de eleitor, regularização da situação eleitoral ou transferência de domicílio vai até o dia 6 de maio.

Perfil do novo eleitorado

Entre os jovens que votam pela primeira vez neste ano, a maioria é formada por mulheres (45.753, equivalente a 52% do total), que lideram nas três idades consultadas.

A maioria feminina do eleitorado segue a predominância feminina na Bahia. Mas, além disso, há nessa porcentagem um reflexo social. É o que afirma Cláudio André.

“Diante de um machismo estrutural e de uma sociedade violenta, eu entendo que as mulheres têm sido mais mobilizadas para pensar em determinadas questões políticas que envolvem diretamente essa agenda de gênero. Então, eu entendo, sim, que a gente tem uma tendência nesse momento a ter as mulheres jovens chegando mais mobilizadas, mais pautadas a participarem da política, debaterem questões relacionadas ao feminicídio, a violência, a questão de gênero”, diz.

Em relação a cor e raça, essa população é composta majoritariamente por pessoas pardas (52.993, ou 60% do total) e pretas (18.397). Em seguida, vêm brancos (15.621), indígenas (490) e amarelos (354).

Como solicitar o título de eleitor

Para emitir o título, o interessado deve comparecer a um dos cartórios eleitorais ou a uma unidade do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da cidade onde reside, portando documento oficial com foto e comprovante de residência, como conta de energia, água ou telefone.

Eleitores do sexo masculino que completam 19 anos em 2026 também devem apresentar o certificado de quitação militar.

Os procedimentos também podem ser realizados de forma on-line, por meio do Autoatendimento Eleitoral, disponível no portal do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

Além do critério de idade, estão aptos a votar cidadãos brasileiros que estejam em situação regular com a Justiça Eleitoral, ou seja, que não possuam pendências referentes a eleições anteriores, como a ausência de justificativa de voto. Pessoas analfabetas não têm obrigatoriedade do voto.

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